Hospital Universitário Oswaldo Cruz: da varíola ao Covid, sempre na linha de frente contra as epidemias

Fotos: 1) Hospital Santa Águeda em 1920, acervo Villa Digital/Fundação Joaquim Nabuco. 2) Estrutura atual do Hospital Oswaldo Cruz, com a igreja à direita. Paulo Goethe/UPE

Com índice de mortalidade quase duas vezes maior do que outras capitais brasileiras, o Recife era considerado um lugar insalubre na segunda metade do século 19. Além dos casos de disenteria, malária, tuberculose e sífilis, a varíola era temida pelo seu poder letal. Para combater as epidemias, um hospital foi inaugurado no dia 24 de novembro de 1884 em um terreno afastado no bairro de Santo Amaro, não muito longe do cemitério. Recebeu o nome de Santa Águeda, virgem e mártir do século 3. Cento e trinta e seis anos depois, o nosocômio - termo usado na época de sua abertura - continua recebendo pacientes e atuando na linha de frente no combate às epidemias. Para quem trabalha no agora Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), o inimigo da vez é o Sars-CoV-2, causador da Covid-19. 

Referência para doenças infecciosas e parasitárias, oncologia, transplante hepático, neurologia, dentre diversas outras especialidades clínicas e cirúrgicas, o HUOC integra a Universidade de Pernambuco (UPE). Dos dois primeiros prédios amplos e arejados erguidos no início, um para os homens e outro para as mulheres, o hospital mudou de nome em 1925 e evoluiu para 10 pavilhões (unidades de internação), dois blocos cirúrgicos, quatro UTI definitivas e uma central de quimioterapia. As áreas de apoio incluem serviços de imagem, laboratórios, farmácias, ambulatórios, nutrição e setor administrativo. A história e a modernidade convivem em um contexto de combate a uma doença há pouco desconhecida.

A estrutura de pavilhões iniciada ainda na época do Santa Águeda mostrou-se eficiente nesta pandemia de coronavírus. Com a intensificação da pandemia, foram gradativamente destinados ao tratamento da Covid 135 leitos de enfermaria e 48 leitos de UTI. Um dos pavilhões, o Júlio de Melo, foi preparado para acomodar 30 leitos de UTI. Uma outra UTI com 10 leitos foi completamente montada e a UTI Pediátrica existente foi adequada para garantir fluxos mais seguros para assistência. Além do reforço na estrutura, com a instalação de geradores ampliação do serviço de hemodiálise, a equipe também cresceu. Mais de 3.000 profissionais estiveram envolvidos no enfrentamento ao Covid-19 sendo que, destes, 759 funcionários, entre temporários e concursados, foram contratados. 

Treinados, os servidores criaram um grupo, o COMVIDA HUOC, que promove ações de mobilização da sociedade civil e entidades públicas e privadas para doações de insumos para assistência e proteção. Eles também contribuem para o processo de humanização do HUOC, que já tem um plano de contingência para colocar em prática com a redução dos números de casos de Covid-19.

História - Em 1964, o hospital passou a integrar a estrutura organizacional da Fundação de Ensino Superior de Pernambuco–FESP sob o nome de Hospital das Clínicas Oswaldo Cruz, juntamente com as Faculdades de Ciências Médicas- FCM e Nossa Senhora das Graças - FENSG. Em 1991, a FESP passou a ser Universidade de Pernambuco-UPE e em 1994 o hospital passou a ser chamado Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC).

Como perfil de hospital-escola, tornou-se campo para formação e desenvolvimento do conhecimento, estágio e pesquisa das Faculdades de Ciências Médicas, Faculdade de Enfermagem Nossa Senhora das Graças, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), da Escola Superior de Educação Física (ESEF) e da Faculdade de Odontologia de Pernambuco (FOP) e outras instituições de ensino superior e técnico da região.

Em setembro de 2008, o HUOC foi recertificado como hospital de ensino, após ser avaliado por uma comissão mista integrada por técnicos dos Ministérios da Educação e Cultura e da Saúde. Em 2012, com a aprovação da Resolução Consun nº 18 passou a incorporar o Complexo Hospitalar da UPE.